15 setembro 2015

- Revelação de Jesus Cristo

O autor das revelações

Apocalipse 1.1-8

"Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, 2 o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu. 3 Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo. 4 João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono 5 e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, 6 e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! 7 Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o transpassaram. 8 Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Introdução

No próprio texto encontramos a chave de sua mensagem: "A revelação de Jesus Cristo". O livro  de Apocalipse não é para todos os tipos de público. É dirigido aos "seus servos"; é destinado àqueles que pertencem a Jesus, e estão totalmente comprometido em servi-lo. As coisas reveladas, garantiu o Senhor Jesus, devem começar a acontecer rapidamente, sem demora.

I - Quem são os destinatários dessa revelação?

       O livro de Apocalipse é considerado, por muitos, o livro das maldições que preconiza o terrível fim dos seres humanos. Apesar de ser, em parte, verdade, o seu conteúdo apresenta, também, grandes bênçãos para a igreja, pois destaca o louvor e a adoração a Deus e ao Cordeiro. Na verdade, a mensagem do livro foi escrita à igreja (1.1) para revelar seu ápice glorioso e o terrível fim daqueles que estão fora dos propósitos de Deus. Portanto, os destinatários são:

  1. O servos de Jesus Cristo - "Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João" (v. 1). A igreja em unidade com Cristo recebe da parte de Deus Pai informações sobre as coisas que devem acontecer. São revelações que o mundo não pode conceber. A Bíblia diz que: "o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas" (Am 3.7). A igreja é constituída de profetas (os que falam a Palavra de Deus) que, também, são chamados de servos (doulos que significa escravos). No entanto Jesus os chama de "amigos", pois os  (grifo nosso) a conhecer aquilo que recebeu do Pai (Jo 15.15). É a esses que Jesus destinou a sua revelação. Entretanto, "A João é enviado um anjo, que se identifica como "servo de Deus". A maioria dos escravos naqueles dias eram constituída de pessoas que haviam sido capturadas na guerra. À semelhança delas, João e os outros crentes eram também prisioneiros de Cristo pois haviam sido capturados ao exército de Satanás para se tornarem servos do Senhor Jesus. É bom observar o que Jesus disse aos seus discípulos na última ceia. Deste momento em diante, Ele não mais os chamaria servos ou escravos, mas amigos. Um senhor não confidencia aos seus escravos, mas aos seus amigos, abre o coração e expõe todos os seus planos (Jo 15.15). Esta era a forma como Jesus tratava a João e aos outros crentes: revela-lhes os planos de Deus. A revelação feita ao apóstolo vem sendo uma bênção aos cristãos através da história da Igreja, especialmente em tempos de dificuldades e tribulações.".
  2. Os que leem, ouvem e praticam a Palavra de Deus - "Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo" (v. 3). Neste texto, encontramos a primeira das sete "bem-aventuranças" registradas no livro de Apocalipse (1.3; 14.13; 16.15; 19.9; 20.6; 22.7; 22.14). "A referência  ao ler (grego, anaginoskon) significa ler em voz alta. Isto implica numa leitura feita na igreja, onde os crentes se aglomeravam para ouvir. As bênçãos e bem-aventuranças vêm tanto sobre os leitores como os ouvintes, desde que guardem as palavras da profecia. As bênçãos não vêm sobre leitores negligentes ou ouvintes desatentos, mas sobre aqueles que, amorosamente, obedecem aos preceitos e mandamentos encontrados no livro.". É interessante notar que a revelação dada a João inclui acontecimentos passados e futuros, mas, também, presentes - o que indica tratar-se de um livro prático para a igreja. As instruções nele registradas são para serem lidas, ouvidas e praticadas, para que tenhamos uma vida mais próxima de Jesus Cristo, As bênçãos de Apocalipse são para os que leem, ouvem e observam seus princípios.
  3. Os que foram libertos dos pecados - "e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Aquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados" (v. 5). A obra realizada por Jesus, para nossa redenção, proveu-nos libertação da presença, do poder e da influência do pecado. O preço pago pela redenção é o preço de sangue (1 Pe 1.18, 19). Ser liberto dos pecados é mais significativo do que ser lavado dos pecados. Quando somos "lavados", estamos sendo perdoados por práticas que provavelmente voltaremos a cometê-las, mas quando somos libertos, ficamos livres para não mais praticá-las. Portanto, a nossa libertação é real (Jo 8.36) e será definitiva quando recebermos um corpo incorruptível (1 Co 15.53). "Em seu evangelho, João afiança-nos ter Jesus mostrado, ou revelado, o Pai cheio de graça e verdade (Jo 1.14, 18). Ele é a testemunha verdadeira (Jo 5.31-37), pois veio para dar testemunho da verdade (Jo 18.37). Por intermédio de Romanos, descobrimos que Jesus trouxe-nos a totalidade do amor divino (Rm 5.5-11). Em segundo lugar Jesus é o 'primogênito dos mortos'. Ele foi o primeiro a ser ressuscitado com o novo corpo imortal e incorruptível, que nunca se decomporá, nem há de se deteriorar ou morrer. O termo 'primogênito' também fala de governo. Jesus tomou o lugar de liderança que, de acordo com os antigos costumes hebreus, pertencia ao herdeiro. Vejamos Salmos 89.20, 26-27. Nesta passagem, Deus promete fazer de Davi o seu primogênito, para que este seja 'mais elevado do que os reis da terra'. Em Colossenses I.15-18, é usada a mesma terminologia para declarar a primazia e o senhorio de Jesus Cristo como o mais sublimado Senhor de todas as coisas. Comparemos as seguintes passagens ainda: Êxodo 4.22; Deuteronômio 28.1; Romanos 14.9; I Coríntios 15.20. Através de sua graça e verdade, Jesus tornou-nos herdeiros juntamente com Ele (Rm 8.17) e participantes do seu triunfo final. Em terceiro lugar, Jesus é o ' príncipe dos reis da terra'; é o Rei dos reis e Senhor dos senhores (1 Tm 6.15; Ap 17.14; 19.16). Não satisfeito em repetir as palavras 'graça e paz', João começa a louvar o grande amor de Cristo, que o levou a lavar os nossos pecados através do derramamento de seu sangue no Calvário (v. 5), introduzindo assim um tema proeminente em todo o Apocalipse (Ap 5.6; 7.14; 12.11): a redenção por meio do sangue do Cordeiro de Deus. João conhecia a realidade de nossa contínua purificação à medida que andamos na luz (I Jo 1.7). Em virtude dessa purificação já somos, aos olhos de Deus, o que Ele sempre desejou que o seu povo fosse: 'reis e sacerdotes'. Quando Deus libertou a Israel do Egito, e o trouxe para junto de si, almejou que o seu povo viesse a lhe pertencer de uma forma especial: um reino de sacerdotes, e uma nação santa (Êx 19.4-6)."

II - Jesus o autor das revelações

        O autor das revelações que a nós foi enviada é Jesus Cristo. A Bíblia diz que Deus falou muitas vezes e de maneiras variadas pelos profetas no passado, mas atualmente tem falado por meio de Seu Filho Jesus Cristo (Hb 1.1). Portanto:

  1. Ele é o que domina pelos séculos dos séculos - "e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!" (v. 6). Veja que o texto não afirma que Ele nos fez "reis", mas que nos fez "reino". O rei é para reinar, mas o reino é para ser reinado. Os crentes redimidos pelo sangue de Jesus Cristo, não somente nasceram de Deus (Jo 1.12, 13), para entrar no Seu reino (Jo 3.5), mas também, como igreja, tornou-se um reino para Deus (Lc 17.21; Rm 14.17). Por meio da igreja, Jesus Cristo reina e pode expandir a Sua glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém! Mas a morte redentora de Jesus fez-nos, além de reino, também sacerdotes: "...sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo" (1 Pe 2.5). A conjunção das duas ideias nos eleva à posição de "sacerdócio real" (1 Pe 2.9). "O propósito de Deus à Igreja é o mesmo que destinara a Israel. Somos um templo espiritual, uma nação santa, uma geração escolhida (uma raça eleita, ou pessoas cujas características sejam as recebidas diretamente de Deus, e não as herdadas dos pais), um sacerdócio real (reis que ministram como sacerdotes de Deus), uma nação santa (que inclui tanto gentios como judeus salvos; Ef 2.12-20), e um povo que é possessão exclusiva de Deus (1 Pe 2.5, 9). Por sua graça, através da fé, entramos neste sacerdócio real, e temos acesso ao Santo dos Santos na presença de Deus (Hb 10.19, 20). Esta é a nossa posição agora. E, quando Ele vier, temos a promessa de que reinaremos com Ele (2 Tm 2.12). Não é portanto de se admirar quando ouvimos João a exclamar que o nosso Senhor merece a glória, a honra e o domínio para todo o sempre.".
  2. Ele é o que vem com as nuvens - "Eis que vem com as nuvens" (v. 7a) O senhor Jesus veio a essa Terra, pela primeira vez, em carne. Ele tabernaculou para ser semelhante aos homens mortais, com o intuito de efetuar a obra da redenção (Jo 1.14; Hb 2.14-18). Virá pela segunda vez, a fim de arrebatar a igreja (1 Ts 4.17) e, por último, aparecerá para libertar os judeus que fazem parte da promessa (Mc 13.27). O Senhor, depois de haver ressuscitado, apresentou-se vivo aos discípulos e, por fim, subiu ao céu, sendo ocultado por uma nuvem. De acordo com os anjos  que apareceram ali naquela ocasião, Jesus virá da mesma forma como foi assunto aos céus (At 1.9-11). Portanto, este texto faz alusão à mais gloriosa promessa de Jesus à Sua igreja: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens" (1 Ts 4.16-17). "Esta esperança ainda acha-se firme em João apesar de estar aproximando-se do fim de sua longa vida. A vinda de Jesus, nas nuvens, será o cumprimento de Daniel 7.13, uma profecia que o próprio Cristo aplicou-se a si mesmo (Mt 26.64). No versículo 7, João olha para o futuro, e vislumbra-nos o que discorrerá com mais detalhes no capítulo 19. Com o pensamento no poder e no domínio de Cristo, o evangelista imediatamente manifesta a esperança da Igreja: ' "Ele vem com as nuvens" '. A maioria das pessoas a quem está escrevendo é gentia que, à semelhança dos crentes em Tessalônica, haviam se convertido dos ídolos para Deus, para servir Aquele que é vivo. Quando de seu retorno, 'todos' (nações, povos e tribos) lamentar-se-ão num terrível gemido por causa de sua presença. Contudo, este não é o desejo de Deus. A promessa feita a Abrão era de que este e a sua semente (Jesus) trouxessem a bênção sobre todas as famílias da terra. Mas devido à rejeição do mundo aos planos divinos, Jesus terá de retornar 'como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo' (2 Ts 1.7). É claro que a Igreja não estará mais na terra quando Cristo retornar trazendo este julgamento. Nós já estaremos com Ele. São os que não foram arrebatados, por ocasião do rapto, e que hão de se lamentar sobre Ele. Nos dias atuais, temos o privilégio de obter a salvação e receber o Espírito Santo. Entretanto, quando Jesus já houver retornado, triunfando sobre os exércitos do Anticristo, só restará aos descrentes ao batismo do fogo do julgamento. João aqui adiciona 'sim, certamente'. Com esta dupla afirmativa, não deseja necessariamente que o julgamento venha sobre o mundo, mas confirma a verdade da profecia. A vitória e o reino pertencem verdadeiramente ao Senhor.".
  3. Ele é o Todo-Poderoso - "Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso" (v. 8). Em Gênesis, Deus é o princípio de todas as coisas, mas em Apocalipse Ele é a consumação de tudo. É interessante notar a relação do versículo 8 acima com o versículo 22 do capítulo 13. No primeiro, Deus Pai declara ser o Alfa e o Ômega, já no último, quem reivindica estes títulos é o Senhor Jesus. Desta forma a deidade de Cristo é revelada, pois Ele é Deus. Nesse caso, podemos afirmar que o Nome "Jeová", que aparece no verso 8, está sendo atribuído também ao Filho. Aliás, esta verdade é confirmada por outros textos bíblicos como, por exemplo, Isaías 6.1-9, onde o profeta afirma ter visto a glória de Jeová; mas, comparado com João 12.37-41, vemos que ele viu foi a glória de Cristo. Aleluia!

III - Conclusão

          Vimos que os destinatários de Apocalipse são os servos do Senhor Jesus. Eles são os que leem, ouvem e praticam a Sua Palavra. As mensagens registradas nos 22 capítulos do livro revelam um Cristo que domina pelos séculos dos séculos, que vem arrebatar a igreja e que é Todo-Poderoso. Devemos estar entre os especificados nessa lição, para poder esperar com alegria a vinda daquele "que é, que era e que há de vir". Tome a posição de servo e obedeça à Palavra de Jesus, para ser bem-aventurado.