29 junho 2013

- Conhecemos Deus verdadeiramente?

       Conhecendo o Deus que se revela (Romanos 1.18-32)

Um exame minucioso do conceito que a maioria dos cristãos tem de Deus mostra quão pouco conhecemos Aquele a quem nos propusemos servir. E essa visão torcida de Deus tem gerado muitos males no meio cristão. Como disse Louis Berkhof, em sua Teologia Sistemática:

“não devemos permitir que a magnitude e a infinitude divinas obscureça a nossa visão da personalidade de Deus. Ele é tanto infinito, quanto pessoal. Ainda que nós, mortais, não possamos ver a uma pessoa. Pela fé devemos aceitar a verdade que afirma que o Deus Universal amou o mundo ‘de tal maneira’. Não obstante Deus ser um poder eterno, uma presença majestosa, um ideal transcendente, um espírito glorioso; e infinitamente mas, ainda assim, Ele é verdadeiramente e para sempre, uma personalidade perfeita, uma pessoa que pode conhecer e ser conhecida (1Co 13.12), que pode amar e ser amada (1Jo 4.19). Deus é um espírito real e uma realidade espiritual e é nEle que ‘vivemos, nos movemos, e existimos’” (At 17.28).
Diante do exposto, fica evidente que a escolha do tema “Conhecendo mais a Deus” é bem apropriado para o momento.

O objetivo é facilitar o conhecimento deste Ser incompreensível, mas que se manifestou gloriosamente, de acordo com aquilo que dele se pode conhecer. Todavia, não se deve procurar conhecer apenas os atributos divinos, mas também, a Pessoa daquele que é bondoso, onipotente, justo, santo, etc. Que haja esmero na busca deste conhecimento.

Oramos ao Senhor para que este estudo possibilitem maior intimidade com o Todo-Poderoso a todos que desejarem maior conhecimento do nosso Senhor.

Sabemos que para se conhecer a Deus é necessário conhecer seus atributos. No entanto, na maioria das vezes em que nos atemos ao seu estudo, ficamos tão deslumbrados com a sua onipotência, onisciência, bondade, justiça etc, que nos esquecemos da Sua Pessoa bendita. É como conhecer as propriedades da água, mas não bebê-la.

Queremos conhecer não somente os atributos de Deus, mas a Ele próprio.

“Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor: como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Os 6.3)
Sabemos que o conhecimento de Deus é limitado ao homem. É o infinito contrapondo o finito; o eterno em oposição ao transitório:

“Porquanto o que de Deus se pode conhecer (...) Deus lho manifestou” (Rm 1.19).
Na nossa busca pelo conhecimento de Deus, não podemos ir além do que nos está revelado. Todavia, devemos nos empenhar ao máximo neste objetivo, uma vez que conhecer a Deus é mais aprazível do que viver desgastando-nos neste mundo, sem tempo para Ele (Os 6.6). Portanto, vejamos as maneiras como Deus se revela:

1. Deus se revela por meio das coisas criadas:

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas...” (Rm 1.20a)
Esse versículo mostra claramente a revelação de Deus por meio da natureza, utilizando até alguns de seus atributos, tais como: poder e divindade. O Salmo 19.1 diz “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”. Assim vemos que Ele se revela por meio de Sua criação. É impossível contemplar a perfeição da natureza e não enxergar nela Seu Criador. Todavia, o homem, por causa da sua natureza caída que lhe turva a visão, mesmo diante de fatos inequívocos, é impedido de ver o Ser divino na beleza e perfeição da criação, perdendo de vista o Criador. Em Romanos 1.18, Paulo destaca que, devido à impiedade e perversão dos homens, há uma supressão do verdadeiro conhecimento de Deus: “...que detêm a verdade em injustiça”. A natureza é capaz de impactar qualquer pessoa que a contemple, porém há muitos que se mantêm insensíveis a tal revelação.

2. Deus se revela por meio das Escrituras Sagradas:

“Porque com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo” (At 18.28).
A natureza não é totalmente suficiente em sua revelação, pois apenas enxergar a Deus por meio dela, não nos leva a salvação se não prosseguirmos neste conhecimento: "E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou..." (Rm 1.28). Para preencher essa lacuna, Deus nos deu sua Palavra. Nela estão reveladas as verdades que Ele deseja nos comunicar. Jesus disse em João 5.39: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam"; e, em 2 Timóteo 3.16, o apóstolo Paulo admoesta-nos que "Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça". Neste contexto, a palavra "inspirada" pode ser corretamente substituída por "comunicada", pois nos comunica os propósitos de Deus. É importante crermos na Bíblia como suficiente em nos revelar tudo aquilo que podemos conhecer acerca do Senhor.

3. Deus se revela por meio de Jesus Cristo:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1).
As revelações de Deus apresentadas até agora podem ser consideradas preliminares, pois apenas em Cristo elas atingem o seu ápice. É Jesus quem nos apresenta a verdadeira revelação divina. O primeiro capítulo de Hebreus mostra-nos que, em Cristo, Deus se revela como o criador de tudo. Ele é a expressão exata da Pessoa do Pai (Hb 1.3). Podemos confirmar este fato na pergunta de Filipe a Jesus: "Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta" (Jo 14.8). A resposta do Senhor não deixa dúvida de que Ele não somente é a voz do Pai, o Verbo divino, mas é, também, a máxima revelação da Sua pessoa: "...quem me vê a mim vê o Pai" (Jo 14.9).

O conhecimento de Deus é adquirido à medida que amadurecemos e buscamos a sua revelação pelos meios citados anteriormente. Uma vez conhecedores dos meios pelos quais Deus se revela, nossa vida nunca mais será a mesma. Seremos plenamente abençoados se atentarmos para esta revelação, colocando em prática tudo o que ela nos comunica. No entanto, se formos negligentes sofreremos o dano, vejamos:

1. A revelação torna o ser humano indesculpável:

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêm pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis" (Romanos 1.20b)”.

    Na medida em que conhecemos a Deus, tornamo-nos conscientes de que Ele é santo e, a partir desse momento, percebemos que somos impuros e corruptos por natureza. Se negligenciarmos em prosseguir nesse conhecimento, ficaremos sem condições de apresentar desculpas, pois ficará evidente que recebemos um facho de luz, mas procuramos tapar a fresta por onde ela entrava, a fim de não nos comprometermos com esse Deus santo. Ele se revelou por meio das coisas que estão criadas, mas os homens não se importaram em conhecê-lo. No entanto, o texto diz que Deus pode ser conhecido, ainda que limitadamente, por meio de sua criação. Como diz certo hino: "Ninguém errará o caminho que conduz ao céu". É evidente que, para que se acerte o caminho, o ser humano necessita querer: "Portanto, convém-nos atentar com mais diligência par as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas" (Hb 2.1).

2. A revelação possibilita ao ser humano honrá-lo como Deus (Rm 1.21,22).

   Conhecer a Deus é fácil se considerarmos que a revelação da Sua Pessoa nos é dada gratuitamente, independente de duro esforço mental. Vem ao homem como a luz do sol que cai sobre um espaço aberto. Basta querer conhecer e recebê-lo. Por outro lado, torna-se difícil porque existem certas condições a serem satisfeitas, mas a natureza humana corrupta as rejeita.

  Considerando a revelação divina como uma grandiosa dádiva, devemos dar a ela a importância devida, pois é por meio desta revelação que somos redimidos e passamos a conhecer melhor quem Deus realmente é. Esta revelação nos proporciona bem-estar espiritual, estreita nosso relacionamento com Ele e nos capacita a prestar-lhe um culto aceitável. Ao receber a revelação de Deus, o homem muda sua conduta, e influência outras pessoas a fazerem o mesmo.

3. A revelação aponta para o juízo de Deus sobre os que o rejeitam (Rm 1.23-32)

   A essência da idolatria está nas ideias indignas que temos a respeito de Deus, como o texto bíblico revela: "Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu (...). E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis (...) e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!" (Rm 1.21,23,25).

    Como disse Tozer: "Um deus gerado nas sombras de um coração decaído não poderá naturalmente ser a imagem real do Deus Verdadeiro, mas sem dúvida esta é uma afronta ao Deus altíssimo perante o qual os serafins exclamam: 'Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos!'".


    O texto enfatiza que os homens rejeitaram em seu coração a revelação que receberam de Deus. O coração refere-se ao sentimento, vontade e intelecto dos homens. Assim, por opção, deixaram-se dominar pela maldade e por todo o pecado, dando lugar às tendências idólatras de sua natureza e à vida de pecado impenitente. Deus se revelou a eles, mas negligenciaram Sua revelação, preferindo suas vidas pecaminosas. Como consequência, perderam o acesso a Deus, caminharam para uma vida de depravação e se distanciaram da salvação divina. Negligenciar a revelação de Deus é a raiz de muitos outros males e, por isso, os que assim procedem, recebem o juízo divino (Rm 1.24-32).

    Concluímos neste estudo que por meio das coisas criadas, Deus se revela a fim de que o encontremos. É possível conhecê-lo, também, por meio de Sua Palavra que é "fiel e digna de toda a aceitação" (1Tm 4.9). A revelação divina se completa em Jesus Cristo, porque n'Ele se encerra tudo o que Deus deseja nos comunicar. Ele mesmo nos disse: "...ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt 11.27). Enquanto cristãos, devemos nos empenhar em conhecê-Lo, assumindo as responsabilidades que Sua revelação nos impõe. Portanto, "Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor..." (Os 6.3).