19 outubro 2013

- Entre a Lei e a Liberdade



Modalidade de vida na Nova Aliança em Cristo
Vivemos em um contexto onde muitos cristãos, sem atentarem para a liberdade que alcancemos em Cristo, sofrem por não conhecerem as Escrituras. Não Sabem ao certo o significado do evangelho, nem como adequar-se a ele. Por desconhecerem o período da lei ou da graça em que se situam, perdem-se nesse conflito, os limites próprios da vida em Cristo.
Estudaremos 2 Coríntios 3.1-18 e vejamos exatamente, onde estamos situados para vivermos uma vida de plenitude, gozando assim, da liberdade em Cristo.


“A palavra Torah, traduzida por lei, significa propriamente uma direção, que era primitivamente ritual. Usa-se o termo, nas Escrituras, em diversas acepções, segundo o fim e conexão da passagem em que ele ocorre. Por exemplo, algumas vezes designa a revelada vontade de Deus (Sl 1.2; 19.7; 119; Is 8.20; 42.12; Jr 31.33), e por isso frequentes vezes se considera a lei de Moisés como sendo a religião dos judeus (Mt 5.17; Hb 9.19; 10.28). Outras vezes, num sentido mais restrito, significa as observâncias rituais ou cerimoniais da religião judaica (Ef 2.15; Hb 10.1). É neste ponto de vista que o apóstolo Paulo afirma que ‘ninguém será justificado diante dele por obras da lei’ (Rm 3.20). A ‘lei gravada nos seus corações’, que Paulo menciona em Rm 2.15, é o juízo do que é mau e do que é justo, e que na consciência de cada homem Deus implantou.”.[1]
Faz-se necessário, na vida cristã, o conhecimento, não só da Lei, mas também de todo o Antigo Pacto, que é, na verdade, “sombra dos bens futuros” (Hb 10.1). No entanto, este conhecimento exige alguns cuidados:

1.           Evitando a escravidão da lei

Em 2Co 3.3, diz o seguinte “porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós e escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração”.
A lei nos permite ter consciência de pecado e mostra o quanto somos escravos dele. Todavia, mesmo com a observação sistemática da lei, com todos os seus sacrifícios, os pecados eram apenas encobertos, mas nunca purificados. Isso fez com que o escravo do pecado se tornasse também um dependente da lei. Assim, fez-se necessário um sacrifício perfeito e superior, não de animal, mas de um homem escolhido por Deus, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Com a vinda de Jesus, já não somos mais escravos do pecado e já não temos dívidas para com a lei.

2.           Evitando ficar cego por causa da lei

Em 2 Co 3.6, diz: “o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica”.
A lei pode cegar os que tentam se justificar por meio dela, por isso devemos ter cuidado. A Bíblia mostra o exemplo dos fariseus, que conheciam a lei com profundidade, porém não puderam contemplar o Salvador da humanidade – o Messias. A lei testificava sobre aquele Jesus que passava bem diante dos seus olhos, mas eles, tomados de cegueira, não puderam reconhecê-lo. Os fariseus se preocupavam tanto com os rituais que se esqueceram do mais importante – do homem que estava bem ali diante deles, Jesus, que cumpriu a Lei e em quem ela se cumpriu.

3.           Jesus e a lei de Moisés

Em “Mt 5.17, Jesus declarou que ele havia vindo para cumprir a lei, não para destruí-la. Mas enfatizou sua qualidade ética ao resumi-la no que chamou de dois grandes mandamentos: ‘Amarás, pois, o Senhor, teu Deus’ (Dt 6.5) e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’ (Lv 19.18). ‘Destes dois mandamentos’, disse Jesus, ‘dependem toda a Lei e os Profetas’ (Mt 22.40).”. (Dicionário Ilustrado da Bíblia – Editor Geral: Ronald F. Youngblood e Co-Editores: F. F. Bruce e R. K. Harrison (Vida Nova).).
“o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento,...” (2 Co 3.6a).
O véu na antiga Aliança é o que tipifica a separação entre o homem e Deus, sendo que naquela época somente ao sumo sacerdote era permitido entrar no “Santo dos Santos” (Hb 9.37). Contudo, a Bíblia diz que “o véu se rasgou” (Mc 15.38), possibilitando-nos livre acesso à presença de Deus. Temos um Advogado junto ao Pai, e, portanto não devemos insistir em manter uma separação onde ela não mais existe (2 Co 3.15).

II.   Desprendendo-se da lei e rendendo-se a Cristo

 Muitos, ainda hoje, vivem debaixo de jugo pesado, não reconhecendo o jugo suave e o fardo leve de Jesus (Mt 11.29, 30). Isso, por não terem se desprendido da Lei, rendendo-se a Cristo.

1.           Jesus, o Filho de Deus

“Filho humano-divino de Deus, nascido da virgem Maria; o grande Sumo Sacerdote que intercede à direita de Deus pelo seu povo; fundador da igreja cristã e figura central da raça humana.
Para entender a pessoa de Jesus e o seu ministério, estudiosos do Novo Testamento devem estudar:
a.      sua vida;
b.     seus ensinos;
c.      sua pessoa; e,
d.     sua obra.
A presença de Jesus com Deus como representante de seu povo confere a segurança de que suas solicitações de ajuda espiritual são ouvidas e concedidas. Saber que Cristo está lá é um incentivo poderoso aos seus seguidores. Nenhum bem que Jesus busque para eles é negado pelo Pai.”.[2]
No versículo 17, capítulo 3 de Segundo Coríntios, diz assim: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.
Quando reconhecemos que Jesus é, de fato, o Filho de Deus, o Salvador do mundo e nos rendemos a Ele, a primeira coisa que nos acontece é o recebimento do Seu Espírito, e “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. Assim sendo, estamos livres da condenação imposta pela lei, da escravidão do pecado (vv. 7-9) e do domínio de Satanás (At 26.18). Isso não significa que estamos livres para pecar, mas de cometer pecado, para servir a Deus de todo o coração.

2.           Transformado à semelhança de Cristo

Uma vez que nos rendemos a Cristo e recebemos o seu Espírito, o próximo passo é a transformação do nosso ser. Deixamos de andar na carne e passamos a andar no espírito. O Espírito do Senhor, atuando em nós dia após dia, molda-nos a mudar de vida, até adquirirmos o caráter de Cristo, onde, a partir daí, passaremos a praticar por amor os mandamentos daquele que nos amou primeiro.
Transformar significa “Mudar radicalmente em caráter, condição ou natureza interior. Em Romanos 12.2, diz: ‘Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança das suas mentes. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável a ele.’[3]. O apóstolo Paulo exortou os cristãos a não se conformarem com este século, mas se transformarem pela renovação da mente. Os seguidores de Cristo não devem agir de acordo, internamente ou na aparência, com os valores, ideais e comportamento de um mundo caído. Devem continuamente renovar a mente através da oração e do estudo da palavra de Deus, pelo poder do Espírito Santo, e assim ser transformado à semelhança de Cristo (2Co 3.18). Quando Cristo voltar, ele ‘transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória’ (Fl 3.21).”[4]
3.           “Refletindo como um espelho a glória do Senhor” (2Co 3.18)

Após nos rendermos a Cristo, recebendo o Seu Espírito e sendo transformado à sua semelhança, jamais seremos os mesmos. Consequentemente, passamos a ser perceptíveis; se assim não acontecer, algo está errado, pois somos a “carta de Cristo”, “... escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (v. 3). Uma carta geralmente revela o seu autor. A luz que o Senhor acendeu em nós tem o propósito de alumiar, para que outros sejam iluminados e sejam livres da escravidão em que se encontram.
“Glória significa beleza, poder ou honra; qualidade do caráter de Deus que enfatiza sua grandeza e autoridade. A palavra é usada com três sentidos na Bíblia:
a.     Beleza moral de Deus e sua perfeição de caráter. Tal qualidade divina está além da compreensão humana (Sl 113.4). Todas as pessoas ‘carecem da glória de Deus’ (Rm 3.23).
b.    Beleza moral de Deus e perfeição como presença visível. Embora a glória de Deus não seja uma substância, algumas vezes Deus revela sua perfeição aos homens de um modo visível. Tal aparição de sua presença é frequentemente vista como fogo ou luz de grande fulgor, ou, ainda, como um ato de poder. Alguns exemplos do Antigo Testamento são a coluna de nuvem e de fogo (Êx 13.21). O livramento de Deus aos israelitas no mar Vermelho (Êx 14) e especialmente sua glória no tabernáculo (Lv 9.23, 24) e no templo (1Rs 8.11).
c.     Louvor. Por vezes, a glória de Deus pode significar a honra e o louvor audíveis que suas criaturas lhe oferecem (Sl 115.1; Ap 5.12, 13).

III.       EXPERIMENTANDO VIVER NO EVANGELHO DE CRISTO

  Viver o evangelho é experimentá-lo intensamente, de acordo com o Espírito do Deus vivo: “o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica” (versículo 6, 2Co 3).


Para viver intensamente o evangelho de Cristo devemos observar os seguintes passos:

  1.           Reconhecer nossas fraquezas
 No versículo cinco, de segundo coríntio três, reconhecer nossas fraquezas é o primeiro passo a ser dado, para vivermos o evangelho na liberdade que Cristo nos deu. Devemos reconhecer que somos humanos, fracos, e que sem Deus nada podemos fazer (Jo 15.5). Em nós mesmos, somos incapazes, mas a nossa capacidade vem de Deus (v. 5). Reconhecer as próprias fraquezas é uma atitude louvável aos olhos de Deus, pois Ele declara, em sua palavra, que “resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1Pe 5.5).
  2.           Confiando em Deus
A Bíblia diz que “é melhor confiar em Deus do que confiar no homem” (Sl 118.8). Essa é uma verdade incontestável, pois confiar em Deus é o segundo passo na caminhada proposta no Novo Concerto. Viver a liberdade requer confiança. O apóstolo Paulo mostrou a fonte de sua confiança: “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus” (v. 2). O covarde é escravo do próprio medo. Estevão foi um exemplo de coragem. “...cheio de fé e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6.8). Nem mesmo diante da morte, ele retrocedeu (At 7.50-60).
  3.           É ser ousado
 O cristão deve ser ousado (v. 12), pois é livre. Não somente porque leu isso nas Escrituras, mas porque essa é uma experiência diária em sua vida. Ele vive o evangelho como fez o apóstolo Paulo, que, muitas vezes, esteve preso, mas nunca deixou de anunciar o evangelho de Cristo. Ele sabia que mesmo o seu corpo estando preso, o evangelho não estava. Por isso, mesmo na prisão juntamente com Silas, louvavam a Deus. Irmãos, ninguém pode prender o evangelho a não ser o próprio cristão se deixá-lo de vivê-lo e pregá-lo.
       Graças a Deus somos isentos de tradições, rituais, sem véu, sem nada, pois nada pode nos separar do amor de Cristo (Rm 8.38, 39). “Conheçamos e prossigamos em conhecê-lo”, pois somente por Ele e com Ele seremos totalmente livres. Devemos nos desprender de nós mesmos por meio da renúncia, para viver a liberdade que Cristo nos proporcionou.
Nota:
A liberdade em Cristo inclui:
§  A libertação da escravidão da Lei com suas ordenanças, e regulamentos;
§  Plena satisfação com uma provisão rica e sustentadora;
§  Desfrute do verdadeiro descanso, sem estar sob o pesado encargo de guardar a Lei; e,
§  Pleno desfrute do Cristo Vivo.[5]


[1] Dicionário Bíblico Universal – Buckland (Vida)
[2] Dicionário Ilustrado da Bíblia – Editor Geral: Ronald F. Youngblood e Co-Editores: F. F. Bruce e R. K. Harrison (Vida Nova).
[3] A Bíblia Sagrada – Tradução na Linguagem de Hoje (Sociedade Bíblica do Brasil – SP)
[4] Dicionário Ilustrado da Bíblia – Editor Geral: Ronald F. Youngblood e Co-Editores: F. F. Bruce e R. K. Harrison (Vida Nova).
[5] Novo Testamento Versão Restauração.