09 junho 2014

- As atitudes do cristão

Dai, e ser-vos-á dado - Lucas 6.37-45

"Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.
Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?
O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for beminstruído será como o seu mestre.
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto.
Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.
homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.".

     As atitudes dos cristãos estão evidenciadas, em grande parte, nas parábola de Jesus Cristo; e nesta passagem não é diferente. Ao fim desse estudo, perceberemos que esta parábola não trata apenas do julgamento alheio, mas de ações que envolvem a generosidade e o amor para que seja alcançada a perfeição diante do Senhor e, através dos frutos, mostrarem como devem ser as atitudes do verdadeiro cristão.

AS ATITUDES DOS CRISTÃOS DEVEM SER COM AMOR

     Jesus Cristo enfatiza a questão do julgamento, porém surgem duas concepções diferentes a respeito  deste assunto: para alguns, o verdadeiro cristão não pode julgar; para outros, o julgamento já se tornou um hábito constante em suas vidas. Mas, afinal, o crente pode ou não julgar? Para uma atitude verdadeiramente cristã, é necessário analisar essa questão com generosidade e amor.
     No versículo 37, Jesus sempre vivia rodeado de pessoas consideradas a escória do mundo, mas nunca as tratou com indiferença. Àqueles que estavam errados por não conhecerem a verdade, Ele os enxergava com seu olhar de amor, ensinando-lhes o caminho da salvação (Mt. 9.10-13).
     Bem distantes do exemplo de Cristo, muitos cristãos perdem a oportunidade de angariar almas para o reino, por causa do seu julgamento preconceituoso acerca das pessoas, trazendo com isso irritação e desrespeito ao Evangelho de Cristo. A Palavra nos diz em João 8.32: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Por isso, o amor deve ser sempre o bálsamo que limpa a nossa visão do preconceito e nos leva a pronunciar a verdade, trazendo libertação e não um julgamento indiferente.
     "... Pode, porventura, um cego guiar outro cego?" (Lc 6.39b). Devemos evitar injustiça no julgamento. É impossível cumprir alguns mandamentos sem avaliar as pessoas. Os apóstolos, por exemplo, julgavam e nos instruem a fazer o mesmo, traçando um perfil de todos aqueles a quem devemos nos afastar para proteger a Igreja das  falsas doutrinas e outros tipos de contaminação (1Co 5.11-13; 2Jo 1.7-11; Jd 1-4, 12-24). No que se concerne a indicação de alguém a um cargo, nós também devemos julgar o caráter do candidato, restritamente à luz das exigências bíblicas, a fim de fortalecer a Igreja com uma liderança que honre o seu cargo (Tt 1; 1Tm 3).
     Estes julgamentos, como observamos, devem ter alvos específicos e estar envoltos pelo forte laço do amor par que não se cometa injustiças e não se lance fora dos braços de Cristo pessoas que estão em dificuldades e que precisam, como amor, serem restauradas à presença do Salvador. E, ao final, é sempre bom lembrar que "com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo" (Lc 6.38c).

OS CRISTÃOS DEVEM VISAR A PERFEIÇÃO DE CRISTO

      No versículo 40, Jesus falava a pessoas que se julgavam perfeitas, no entanto, estavam mergulhadas na hipocrisia. Embora fossem dizimistas, negligenciavam o mais importante da lei: a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23.23) O Evangelho de Cristo, contudo, nos constrange a atitudes mais nobres.
     Como cristão devemos enxergar nossos próprios defeitos e muitas vezes, o homem não consegue olhar o espelho da sua alma, pois o seu reflexo fere de maneira contumaz os princípios cristãos. Contudo, ergue-se em sua arrogância, sentindo-se capaz de apontar os defeitos alheios e ainda corrigi-los. Para estes, é preciso lembrar as palavras contidas em João 8.7: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela".
     Para tentar alcançar a perfeição do Mestre é necessária uma análise diária, enxergando os próprios erros e defeitos, e com arrependimento retirar as "traves" que impedem uma vida correta diante de Deus e também dos homens; "... e, então, verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão" (Lc 6.42). 
     O cristão deve ajudar nas dificuldades alheias para alcançar a perfeição diante de Cristo sem ter os olhos voltados para os que estão à nossa volta, ajudando-os a se colocarem de pé. Como nos diz Ernest Blevins" "O melhor exercício para fortalecer o coração é abaixar-se e levantar os que estão caídos".
     A Palavra dos diz que Jesus não foi enviado para condenar o mundo mas para salvá-lo (Jo 3.17). Em Mateus 12.20 vemos que Jesus "Não esmagará o galho quebrado, nem apagará a luz que já está fraca" (Bíblia Linguagem de Hoje). Até o último instante, Ele cuidará dos feridos para que sejam restaurados. O cristão, também, precisa sentir a real dificuldade daquele que está ao seu lado precisando de ajuda para erguer-se novamente diante de Deus. Isso se chama misericórdia, e tal como agimos com o nosso próximo, assim o Senhor agirá conosco (Mt 18.23-35).

OS CRISTÃOS DEVEM PRODUZIR BONS FRUTOS

     É sempre possível reconhecer a qualidade de um fruto entregue a Cristo, pelas palavras e ações que procedem de um verdadeiro cristão.
     Não há dúvidas de que o ser humano é conhecido por tudo o que diz por meio das palavras, pois são as palavras que nos qualificam como sábios, ignorantes, sensíveis, arrogantes, etc. Mais que um mecanismo da fala, as palavras estão carregadas de pensamentos e sentimentos que provêm do coração (Pv 10.19-21). É por meio delas que colhemos os nossos frutos para Cristo. Por isso  é tão importante que tenhamos cuidado com tudo aquelo que dizemos, pois as palavras formulam o conceito que as pessoas têm a nosso respeito, e também à respeito do Senhor, a quem dizemos servir (Cl 3.8-17). "... porque da abundância do seu coração fala a boca" (Lc 6.45).
     Os frutos decorrentes das nossas ações não serão avaliados por Deus somente quando finalmente os entregarmos a Cristo, mas são analisados constantemente por todos aqueles que nos cercam (Fp 1.9-11). Enganam-se aqueles que desprezam os atos corriqueiros da vida diária, como se não fosse observados. São as nossas pequenas atitudes de justiça, de amor, de colaboração e ajuda ao próximo, contadas como belos frutos, que levam as pessoas a desejarem também servir ao nosso Senhor e a cooperarem conosco no crescimento do Reino Celestial.
     Ser cristão não é uma ideia, mas ação e atitude; por isso devemos ter cuidado com a projeção dessas atitudes, pois elas refletem quem somos, o que pensamos e o que trazemos no mais íntimo do nosso coração. A reflexão diária sobre os nossos erros e defeitos deve sem constante, para que o amor transborde de um coração misericordioso, capaz de entender as dificuldades alheias. Somente assim conseguiremos caminhar em direção ao Mestre, levando conosco vidas que, mesmo em face às mais diferentes dificuldades em manterem-se de pé, são tão preciosas quanto cada um dos que se acham tão "perfeitos".